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Um Relacionamento a 3.

Outubro 19, 2011 Deixe um comentário

Esse lindo mundo cheiroso e cor-de-rosa lotado xiliques, tpms e neuroses que é a dinâmica feminina não é criação feminina, meus amigos.

– A Disney (essa linda!) me disse que meu príncipe encantado é lindo, maravilhoso e cheiroso, mas para chegar no “felizes para sempre” tem sempre uma madrasta querendo destruir a sua felicidade. Ou seja, um relacionamento a 3.

– As novelas me ensinaram que o mocinho que eu me apaixonei o primeiro capítulo só vai ser meu depois de alguns meses/anos de sofrimento, choro e demonstrações de bondade, além de contar com uma certa inteligência para que ele perceba que aquela vagabunda, loira, peituda, gostosa e rica que fica se esfregando nele na verdade gosta mesmo é do porteiro. Ou seja, um relacionamento a 3.

– As conversas de salão de cabeleireiro me mostraram que eu posso ser feliz com meu lindo, mas só se for bem longe da megera da mãe dele. Ou seja, um relacionamento a 3.

Pois bem, mas aí a pessoa que mais se preocupa comigo no mundo, a mamãe, me disse que se um não quer, dois não brigam. Eu concordo que, se um relacionamento não funciona, não é culpa apenas de uma das partes. Alguns cuidados simples podem transformar uma relação infernal em um mar de rosas e algumas poucas piranhas.

Exemplo?

– Ele tem um ótimo relacionamento com a ex: Amiga, você é a atual. Seja feliz. Se ele quiser voltar com ela não vai ter xilique que vai fazer ele ficar com você.

– Ele é filhinho da mamãe: Amiga, você escolheu este puto. Ele ama a mãe, se dedica a ela, seja amorosa e atenciosa você também e faça da sua sogra sua amiga e aliada.

– Ele tem amigos que querem destruir seu relacionamento:  Amiga, você não pode fazer nada se seu lindo não tem opinião própria. Não é você que vai botar juízo naquela cabecinha mole. Brigar com os amigos dele só vão te transformar no Monstro do Lago Ness.

Um namoro é um relacionamento a dois. E a dois ele deve ser. No final das contas as pessoas que vão decidir os rumos dessa relação são apenas os dois então, pra quê a gente deve se estressar com qualquer referência  externa? Se tem algo que eu apendi lendo livros de fantasia medieval é “escolha suas batalhas” e, amigas, pra quê entrar numa batalha e arriscar perder se você pode se virar muito bem com acordos?

E se conversar não der certo? Bom, aí é a hora de você se armar, se encher de coragem e fazer o que deve ser feito: matar a terceira cabeça ou ver seu relacionamento morrer.

Melhor ter uma certeza triste do que uma dúvida eterna.

Piolhos

Agosto 18, 2011 Deixe um comentário
Quem não lembra do sentimento de Crise de 29 quando o assunto era piolhos?- Thais! Sabe a Maria da 3ª B?
– Sim!? – Não, eu não sabia.
– Ela está com piolho! Cuidado com ela!

Assim era iniciado o terror! Todas as meninas da escola poderiam ser a Maria da 3ª B! Eu não teria mais nem um minuto de tranquilidade!

Uma vez eu fui no banheiro, antes de sair, tinha que lavar as mãos e uma menina estava na pia (que tinha uns 3 metros de comprimento). Era época de piolhos. E ela não terminava nunca! Provavelmente era a Maria da 3a. B! E estava ali no banheiro porque não queria ficar na sala de aula coçando a cabeça! Preciso dizer que eu não lavei a mão até que ela saísse do banheiro?

Mas imagina se eu pegasse piolho? E se todo mundo soubesse? E se minhas amigas não quisessem mais ficar comigo? E no exato momento que eu estava aterrorizada minha cabeça começava a coçar. Isso faz uns 15 anos e está coçando enquanto eu escrevo esse post.
Mas eu nunca me rendia à coceira. Ah não. Jamais! Se eu estivesse com piolhos falaria para minha mãe avisar que eu estava doente e faltaria uma semana! É claro que eu não tinha a liberdade de escolha se eu ia ou não à escola, mas sempre gostei de imaginar que tinha…
A melhor história sobre piolhos que eu tenho é uma menina que chamarei aqui de Dentão.Dentão era uma garota comum de 12 anos, 6ª A, morena, olhos amendoados, cabelos longos e lisos, magra, com um problema dentário absurdo. Posso afirmar, com absoluta certeza, que Dentão não tinha a capacidade de encostar o lábio superior no inferior.

Dentão parou de conversar comigo no ano anterior por divergências de conceitos de beleza e estética. (Da série “Coisas que a Popularidade Define”: Eu era considerada feia, ela não.)

Por algum motivo durante uma aula da 6ª série Dentão sentou no banco vazio do meu lado, meio chorando.

– O que aconteceu?
– Ninguém quer conversar comigo! Não sei o que está acontecendo e as meninas nem respondem o que eu pergunto depois do intervalo!

Senti um prazer mórbido naquela frase.

– Você não pode ir lá ver com elas o que está acontecendo?
– Claro! – estava verdadeiramente preocupada, ela era minha amiga até o ano anterior e eu nunca fui de guardar rancor.

Então eu descobri. Dentão estava com piolho. Ótimo, mais um motivo para ninguém querer falar comigo! Eu andava com a piolhenta! Éramos tão velhos para ter piolhos… Todas as amigas dela não quiseram comentar nada, então eu fui o tio bêbado que conta pros sobrinhos que Papai Noel não existe na véspera do natal.

Como sempre, dei aquela olhadinha pra cabeça, com medo. E adivinha? Eu vi uma coisa marrom clara, pequena, no topo da cabeça dela. A cena nunca mais vai sair da minha memória. Aquilo saindo de dentro dos cabelos e voltando. Nojo eterno.

Enfim, eu contei, a Dentão chorou absurdo porque a coordenadora da escola não deixou ela ir embora mais cedo, no horário ela foi pra casa e voltou apenas uma semana depois, sem piolhos.

Algumas vezes eu me pego preocupada com algum problema, me estresso e me entristeço. E depois percebo que era algo que realmente precisava de uma ação, mas não era algo grave.

É bom sempre medir nossos medos e perceber se não estamos nos escondendo em casa durante uma semana enquanto só o que precisamos/podemos fazer é usar um shampoo e pentear os cabelos com pente fino por algumas horas.

Algumas problemas são grandes e valem a nossa preocupação, já outros, bom, eles são apenas piolhos.