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Médio, Mediano… Medíocre

Setembro 1, 2011 2 comentários

Adoro definições. De verdade. Uma ótima forma de conhecer pessoas de verdade é descobrir como elas definem a si mesmas e os outros.

Sempre fico com aquela pulguinha atrás da orelha depois de cada frase solta de música, cada poesia e o que a pessoa estava sentindo no exato momento que falou aquilo. E talvez por isso que eu adore o twitter. Nas outras redes sociais você pode fazer diversas coisas além de “abrir o seu coração”, mas não no twitter. Ali todas as piadinhas, trollagens e reclamações tem algo a ver com o que você faz, pensa ou sente.

Tenho uma amiga (não só uma, no caso) que é amorosa, carinhosa, linda, inteligente, articulada e, olha, não tenho palavras para descrevê-la de forma melhor do que um grande pudim de leite caramelizado cortado em fatias perfeitas e deliciosas escondidos em um pote de feijão. Por trás de um mal humor absoluto, sobrancelhas arqueadas, auto-estima impecável e lápis de olho agressivo ela é uma romântica que cansou de sofrer.

Existem tantos casos por aí de pessoas tão magoadas com alguma situação que as levaram tão além das suas forças e, por que não, do seu amor e respeito próprio que se fecham para que nunca mais sejam violentadas da mesma forma. Claro que todos sabemos que se esconder e guardar a dor não é a resposta para nenhum dos nossos problemas, pode até nos aliviar por alguns momentos mas não cura.

Tem uma frase do John Donne que eu adoro.

“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.

Nos últimos tempos percebi que tenho tanto contato com tantas pessoas maravilhosas que estão tão presas a problemas antigos que não conseguem viver e aproveitar o presente da forma como deveriam. Jamais diria que eu sou um exemplo a ser seguido já que meus períodos de “luto” são extensos e exagerados e já assustei muita gente (especialmente meus pais) com minhas crises de choro incontrolável durante filmes românticos, ao ver documentários sobre pinguins ou assistindo reportagens sobre tragédias. Não importa se a sua recuperação será rápida ou lenta, ela sempre será dolorosa. Somos seres sentimentais (ainda bem!) e ter sentimentos é normal, e todo mundo precisa sentir doer, preparar o velório e enterrar os problemas.

Nem mesmo o mais solitário dos homens está sozinho e todos somos magoados vez ou outra pelas pessoas em que mais confiamos.

Por incrível que pareça a idéia desse post veio de uma atualização do orkut. Eu entrei lá (coisa que não fazia a muito tempo) e vi minha antiga descrição “Eu só queria ser perfeita” e, poxa, não tem absolutamente nada a ver com o meu atual momento! Meu 2010 foi definido pela frase acima e, como vocês podem imaginar, não foi um ótimo ano. As cobranças que fiz foram necessárias para que perceber que ser perfeita, não sofrer, não chorar e não fazer besteiras não tem nada a ver comigo. Alterei a minha frase de descrição orgulhosamente, sabendo que eu já fiz coisas lindas, já me esforçei até o limite da minha capacidade, mas já tiveram dias que dormi sem lavar a louça na pia e sabem de uma coisa? Está tudo bem. Ser normal, médio, mediano não é ser medíocre, medíocre é não ser verdadeiro com você mesmo.

Estou num processo totalmente excelente de aceitar o que sou, fazer o que quero e não me punir pelo que sinto. A verdade universal é que chega um momento onde percebemos que, para aquela dama do romancismo parar de sofrer ela só precisa parar de chorar, comer uns chocolates e descer da torre e abrir seu próprio restaurante.

Eu adoro Disney e ela tem vários exemplos que ninguém precisa ser perfeito para ser feliz. Um dos que eu mais gosto é de Lilo & Stitch, no final do filme o Stitch, quando perguntado quem são aquelas pessoas ele responde:

“Essa é a minha família. Eu achei. Sozinho. Eu achei. É pequena e incompleta. Mas é boa. É, é boa.”

“Ohana quer dizer ‘família’ e ‘família’ quer dizer ‘nunca abandonar ou esquecer'”

As pessoas são como folhas de papel. Nascemos em branco, sem riscos, sem histórias. Anos depois temos tantos rabiscos, buracos, grampos, tesouradas e rasgos que ficamos pensando em como seria bom estar em branco sem prestar atenção nos desenhos lindos que temos. Não adianta esconder sua tela embaixo de um pano escuro ou se se jogar nos porões desse grande museu da vida. Sua folha nunca mais será branca, ela só vai continuar repetindo as mesmas cores-experiências que você usou até hoje até que ela se acabe.

Eu, pessoalmente, decidi que mereço novas cores.

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Piolhos

Agosto 18, 2011 Deixe um comentário
Quem não lembra do sentimento de Crise de 29 quando o assunto era piolhos?- Thais! Sabe a Maria da 3ª B?
– Sim!? – Não, eu não sabia.
– Ela está com piolho! Cuidado com ela!

Assim era iniciado o terror! Todas as meninas da escola poderiam ser a Maria da 3ª B! Eu não teria mais nem um minuto de tranquilidade!

Uma vez eu fui no banheiro, antes de sair, tinha que lavar as mãos e uma menina estava na pia (que tinha uns 3 metros de comprimento). Era época de piolhos. E ela não terminava nunca! Provavelmente era a Maria da 3a. B! E estava ali no banheiro porque não queria ficar na sala de aula coçando a cabeça! Preciso dizer que eu não lavei a mão até que ela saísse do banheiro?

Mas imagina se eu pegasse piolho? E se todo mundo soubesse? E se minhas amigas não quisessem mais ficar comigo? E no exato momento que eu estava aterrorizada minha cabeça começava a coçar. Isso faz uns 15 anos e está coçando enquanto eu escrevo esse post.
Mas eu nunca me rendia à coceira. Ah não. Jamais! Se eu estivesse com piolhos falaria para minha mãe avisar que eu estava doente e faltaria uma semana! É claro que eu não tinha a liberdade de escolha se eu ia ou não à escola, mas sempre gostei de imaginar que tinha…
A melhor história sobre piolhos que eu tenho é uma menina que chamarei aqui de Dentão.Dentão era uma garota comum de 12 anos, 6ª A, morena, olhos amendoados, cabelos longos e lisos, magra, com um problema dentário absurdo. Posso afirmar, com absoluta certeza, que Dentão não tinha a capacidade de encostar o lábio superior no inferior.

Dentão parou de conversar comigo no ano anterior por divergências de conceitos de beleza e estética. (Da série “Coisas que a Popularidade Define”: Eu era considerada feia, ela não.)

Por algum motivo durante uma aula da 6ª série Dentão sentou no banco vazio do meu lado, meio chorando.

– O que aconteceu?
– Ninguém quer conversar comigo! Não sei o que está acontecendo e as meninas nem respondem o que eu pergunto depois do intervalo!

Senti um prazer mórbido naquela frase.

– Você não pode ir lá ver com elas o que está acontecendo?
– Claro! – estava verdadeiramente preocupada, ela era minha amiga até o ano anterior e eu nunca fui de guardar rancor.

Então eu descobri. Dentão estava com piolho. Ótimo, mais um motivo para ninguém querer falar comigo! Eu andava com a piolhenta! Éramos tão velhos para ter piolhos… Todas as amigas dela não quiseram comentar nada, então eu fui o tio bêbado que conta pros sobrinhos que Papai Noel não existe na véspera do natal.

Como sempre, dei aquela olhadinha pra cabeça, com medo. E adivinha? Eu vi uma coisa marrom clara, pequena, no topo da cabeça dela. A cena nunca mais vai sair da minha memória. Aquilo saindo de dentro dos cabelos e voltando. Nojo eterno.

Enfim, eu contei, a Dentão chorou absurdo porque a coordenadora da escola não deixou ela ir embora mais cedo, no horário ela foi pra casa e voltou apenas uma semana depois, sem piolhos.

Algumas vezes eu me pego preocupada com algum problema, me estresso e me entristeço. E depois percebo que era algo que realmente precisava de uma ação, mas não era algo grave.

É bom sempre medir nossos medos e perceber se não estamos nos escondendo em casa durante uma semana enquanto só o que precisamos/podemos fazer é usar um shampoo e pentear os cabelos com pente fino por algumas horas.

Algumas problemas são grandes e valem a nossa preocupação, já outros, bom, eles são apenas piolhos.