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Utopia

Junho 28, 2011 5 comentários

Eu sempre sonhei em viver num mundo justo. Num mundo em que as minhas escolhas pessoais não teriam interferência de quem quer que fosse. Eu defendo plenamente o direito das pessoas serem demitidas por terem olhos verdes. Ora, eu possuo olhos castanhos, acho inadmissível que a constituição me proíba de demitir, ou de me privar no direito de não conviver com pessoas de olhos claros.

E o que é ainda pior, sou chamado de preconceituoso, intolerante. Eu juro que não é preconceito, só acho que olhos verdes agridem meu estilo de vida, podem ser péssima influência às pessoas que me cercam. Nem eu seria tão tolo ao exigir de eles mudassem a cor de seus olhos, só me reservo no direito de que eles convivam com seus olhos verdes longe o bastante de mim.

Sim. É um dia bem triste o que dia que nós, pessoas tão sensatas e liberais, somos restringidos por culpa de uma parcela da população. Aí eu me pergunto onde esse horror vai parar? Alguns devem saber que o gene das pessoas de olhos verdes é recessivo e que, assim como ruivas e loiras, é uma espécie em extinção. Haverá então, uma lei obrigando que pessoas de olhos escuros como o meu procriem com pessoas de olhos claros apenas para a preservação destes? Porque se existe uma lei que me proíbe de escolher não conviver com pessoas como essas logo haverá uma lei que me obrigue não só a conviver como a casar com elas.

Se você, irmão de olhos escuros, assim como eu se sente ultrajado por tamanha afronta a nossa liberdade, espalhe esse post. Lute também pelo direito de não deixar seus filhos sob a perniciosa influência que pessoas de olhos verdes possam ser para aqueles que você tanto ama.

Viva la Libertad!

Agora falando sério: se você achou o texto acima um absurdo sem pé nem cabeça, substitua olhos verdes e olhos escuros por gay e hétero, respectivamente. Continua achando assim tão sem sentido? Mas o que mudou foi apenas uma característica de uma pessoa, não o conteúdo. E há algumas pessoas que usam esse tipo de discurso como se ele fosse o ápice da retórica humana. Eu ate poderia sentir pena quando leio ou escuto algo desse tipo mas, infelizmente, eu não consigo para de rir. É tanto absurdo que eu realmente me pergunto se as pessoas escutam em retrospectiva o que dizem.

Don’t get me wrong. Eu defendo o direito de evangélicos acharem que gays agridem seu estilo de vida e até mesmo ensinar pros seus filhos e em suas igrejas que meu estilo de vida é pecado e eu vou queimar o inferno. Acho bastante justo. Da mesma forma que a religião não pode interferir no Estado, o Estado não pode interferir na religião. Entretanto, a maior parte da retórica contra direitos a parcela gay da população de baseia unicamente nisso.

Talvez, com alguma sorte, eles aprendam que existe uma diferença entre ter o direito de ser quem você é sem a interferência de outro e ter o direito de interferir na vida alheia por ela ser quem é.

Em outras palavras, eu não quero proibir alguém de dizer ou achar que ser gay é pecado, o que eu quero é proibir alguém de me demitir ou me espancar por causa do sexo da pessoa que eu levo pra cama. O que eu quero não é o direito de entrar na Assembléia do Reino de Deus com meu noivo pro pastor celebrar o meu casamento. O que eu quero é o direito de ser tratado como um cidadão pleno. O que eu quero é que no caso de eu adotar uma criança ou se ser um milionário, o meu marido possa ser reconhecido como herdeiro e pai do meu filho, assim como eu.

Um pouco antes de escrever esse post eu vi um discurso da Myriam Rios que foi veemente contra um projeto de lei visando especificamente a parcela da população gay do RJ. Os argumentos dela variavam de “opção sexual pedófilo”, “a pessoa não poderá ser demitida se cometer algum ato de pedofilia contra meus filhos”, “eu quero o direito de demitir alguém que trabalha na minha EMPRESA porque na minha CASA a orientação sexual é outra”.

Não vou me dar ao trabalho de contra argumentar dizendo que nem todo pedófilo é gay e que pedofilia é crime, independente da orientação sexual porque meu  cérebro em COMA consegue ser mais inteligente do que ela.

Tem uma parte do discurso que eu achei genuinamente brilhante: “Como deputada estadual eu represento a população”. Não poderia ter dito melhor. Um País burro, feito de pessoas ignorantes não poderia ter representante melhor. Parabéns ao Brasil por ter como políticos representantes fidedignos de sua população.

P.S.: Obviamente nem todos os deputados são assim tão ignorantes assim como nem toda a população é burra. mas é inevitável a realidade que nossas câmaras estão mais para um circo de horrores do que pra uma casa séria. Tiririca que o diga.