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O Principe Encantado

Junho 27, 2011 Deixe um comentário

Por anos a diversão da minha família foi contar a história que, mesmo com todo o pré-natal, eu escondi a minha coleguinha durante os 9 meses de gestação e, desconfiavam, mas ninguém tinha certeza se eu era uma menina. Então, no dia do meu nascimento, eu, o único bebê vestindo cor-de-rosa maternidade aquele dia, fiquei com as pernas pro alto, abertas.

“Escondeu tanto, agora vai dar trabalho essa menina!”

Pode ser coincidência, mas penso que talvez tenha sido uma brincadeira do destino para que eu percebesse, já no dia do meu nascimento, como homens e mulheres tem tratamentos diferentes, começando pelas cores dos macacões dentro dos berços. Em um mundo assim não vejo como uma mulher pode não cair em algumas armadilhas em sua incansável busca pelo amor.

Encantado, seu lindo sucesso!

Somos bombardeadas por contos de fada e príncipes encantados, lindos, magros, malhados, charmosos, apaixonados, românticos e ricos desde pequenas. A mamãe nos apresenta ao mundo mágico da Barbie e percebemos o quanto ela fica linda (e parecendo a boneca) quando usa maquiagem e salto alto. Aprendemos a cuidar dos nossos cabelos, fazer nossas unhas e como usar perfume. Descobrimos que ser adorável com o papai nos faz ganhar presentes e um chocolate antes do jantar (sem a mamãe saber).

Crescemos, ficamos lindas, magras e inteligentes então chega a hora da verdade e nos avisam que os homens não são os príncipes dos livros. Aí você pára, respira e pensa que só pode ser sacanagem que te falaram que você tinha que fazer depilação mas o seu marido vai ser aquele gordo com cara de safado e cu de urso.

Ora, vamos ser sinceras. Que atire a primeira pedra a mulher que nunca desejou o príncipe encantado dos filmes. Já fomos até avisadas que ele vai vir com uma madrasta horrível que vai pegar no seu pé e tentar fazer a sua vida um inferno, mas você vai dar um jeito naquela megera porque o amor é maior que tudo e vocês vão ficar bem.

Ah, mas a sacana da tríade do amor diz que você tem que escolher entre boa aparência, inteligência e estabilidade emocional.

Assim chega o fatídico dia onde você já teve um homem 1) gracinha e comprometido mas burro feito uma porta, 2) gracinha e inteligente com medo de se comprometer, e nenhum deles te chama a atenção, com nenhum deles você tem vontade de sair à noite para dividir aquela cerveja gelada e nenhum deles consegue arrancar um sorriso sequer dos seus lábios tão bem hidratados devido às esfoliações milagrosas com mel e açúcar que sua avó ensinou.

Você acaba de perceber que vai morrer sozinha no seu apartamento e vão te encontrar semanas depois em decomposição avançada e já está decidindo 1) com quem vão ficar os seus gatos, 2) se você deve ou não ter um rotweiller para comer seu rosto.

Aí de repente você encontra aquele o tipo que jamais chamaria a sua atenção, mas algo galanteador naquela voz mansa e no olhar firme fazem você se derreter como uma manteiga. E o carinho como ele te toca, as gargalhadas que ele te faz dar e, amiga, você encontrou um urso.

Aquela barriguinha de macarrão se torna adorável, o corpo gordinho é uma grande e deliciosa almofada, o nariz é do tamanho exato, se for pequeno e delicado é lindo, se for grande é porque ele tem mais lugares pra você beijar, aquela barba faz parte do seu parquinho de diversões e os pêlos no peito antes tão odiados são apoios que você nunca mais vai querer viver sem.

Amor verdadeiro, amor eterno.

Se um homem é um brigadeiro, um urso de verdade é um macaron, você até pode olhar os doces da prateleira e ter vontade de comê-los, mas ele é diferente, não tem em qualquer esquina, é durinho por fora, um doce por dentro e, no final das contas, é ele quem você vai escolher.

Bem vinda, amiga, e aproveite! Aquele tal cu de urso de primeira considerado nojento citado lá em cima no post não só é altamente recomendado, ele possivelmente será uma das coisas mais bacanas que você já teve na vida.