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Archive for the ‘Não Me Julgue! Estou Divagando.’ Category

Resoluções de Ano Novo

Janeiro 9, 2012 Deixe um comentário

Uma das grandes bobagens da humanidade são as resoluções de Ano Novo e não me condenem antes de ouvir a explicação toda!

Não que eu ache que traçar metas e fazer um planejamento seja ruim, muito pelo contrário, acho que a melhor e mais importante parte da nossa vida é que, a todo e qualquer momento temos a oportunidade de mudar, crescer e melhorar e é aí que começa todo o meu problema com o Ano Novo.

Nem todo mundo precisa decidir o que quer e tentar mudar sua vida de uma hora pra outra, mas acho que eu tenho que ser honesta comigo mesma. Todo mundo já  conheceu alguém que se sentia infeliz e arrumava uma desculpa qualquer para não tentar uma atitude diferente e não julgo, você pode dar a desculpa que quiser para o mundo, mas assuma seus verdadeiros motivos pelo menos pra você mesmo aí quando você estiver preparado de verdade nada vai te impedir.

Um exemplo disso é uma amiga minha, a Dra. Desculpinha, e ela tem as melhores desculpas esfarrapadas que eu já vi na minha vida! Sendo amiga eu nunca sofri nenhuma dessas, mas já vi esta dama aplicando seus golpes em muitos bofes.

Uma vez a Dra. Desculpinha e seu lindo peguetinho combinaram de sair e assistir um filme. Tudo perfeito até que Marineusa (eu) ligou, uma formosa amiga da Dra. Desculpinha que a convidou para um barzinho, só mulheres. Eu não sei exatamente o que aconteceu mas recebi uma mensagem da desculpa no meu celular com carinha triste e, olha, se eu fosse o peguetinho eu caía bonito.

Como eu conheço a Dra. Desculpinha a muitos anos eu entendo que quando discutimos e ela responde “Sou assim mesmo” significa “Vai embora que eu não vou mudar e não quero mais falar com você”.

Todos nós podemos ter medo, orgulho, preguiça e não acho que está errado ter qualquer um desses sentimentos em situações adequadas, mas várias vezes já me tornei escrava de alguma situação e não tinha coragem de tomar uma atitude. Aí, mesmo depois de tudo resolvida na minha cabeça eu não conseguia seguir com o projeto porque postergava com esperança de que algo iria mudar. Tantas vezes esperei uma segunda-feira para começar a dieta!

Uma vez eu estive esperando uma resposta divina, alinhamento dos planetas, um “não” definitivo.

Essa história começou quando um garoto maroto e eu decidindo ser apenas amigos. Era simples e daria absurdamente certo se eu não fosse perdidamente apaixonada por ele e todas as vezes que a gente se encontrasse ele não tentasse me beijar. Acabamos os dois enrolados por uma corda de insanidade onde eu não conseguia ter um relaciomento e ele não precisava ter um. Amigos, se vocês soubessem quantos rios de lágrimas eu chorei por essa história até definitivamente perder o medo de ser e estar solteira de verdade. Se eu tivesse dito a verdade pra mim mesma, se eu tivesse assumido que a situação me magoava, bom, aí eu não esperaria tanto.

Todo mundo tem medo, o seu projeto pode começar ano que vem, mas a gente tem sempre que se lembrar que a felicidade não espera uma segunda-feira pra acontecer.

Um Relacionamento a 3.

Outubro 19, 2011 Deixe um comentário

Esse lindo mundo cheiroso e cor-de-rosa lotado xiliques, tpms e neuroses que é a dinâmica feminina não é criação feminina, meus amigos.

– A Disney (essa linda!) me disse que meu príncipe encantado é lindo, maravilhoso e cheiroso, mas para chegar no “felizes para sempre” tem sempre uma madrasta querendo destruir a sua felicidade. Ou seja, um relacionamento a 3.

– As novelas me ensinaram que o mocinho que eu me apaixonei o primeiro capítulo só vai ser meu depois de alguns meses/anos de sofrimento, choro e demonstrações de bondade, além de contar com uma certa inteligência para que ele perceba que aquela vagabunda, loira, peituda, gostosa e rica que fica se esfregando nele na verdade gosta mesmo é do porteiro. Ou seja, um relacionamento a 3.

– As conversas de salão de cabeleireiro me mostraram que eu posso ser feliz com meu lindo, mas só se for bem longe da megera da mãe dele. Ou seja, um relacionamento a 3.

Pois bem, mas aí a pessoa que mais se preocupa comigo no mundo, a mamãe, me disse que se um não quer, dois não brigam. Eu concordo que, se um relacionamento não funciona, não é culpa apenas de uma das partes. Alguns cuidados simples podem transformar uma relação infernal em um mar de rosas e algumas poucas piranhas.

Exemplo?

– Ele tem um ótimo relacionamento com a ex: Amiga, você é a atual. Seja feliz. Se ele quiser voltar com ela não vai ter xilique que vai fazer ele ficar com você.

– Ele é filhinho da mamãe: Amiga, você escolheu este puto. Ele ama a mãe, se dedica a ela, seja amorosa e atenciosa você também e faça da sua sogra sua amiga e aliada.

– Ele tem amigos que querem destruir seu relacionamento:  Amiga, você não pode fazer nada se seu lindo não tem opinião própria. Não é você que vai botar juízo naquela cabecinha mole. Brigar com os amigos dele só vão te transformar no Monstro do Lago Ness.

Um namoro é um relacionamento a dois. E a dois ele deve ser. No final das contas as pessoas que vão decidir os rumos dessa relação são apenas os dois então, pra quê a gente deve se estressar com qualquer referência  externa? Se tem algo que eu apendi lendo livros de fantasia medieval é “escolha suas batalhas” e, amigas, pra quê entrar numa batalha e arriscar perder se você pode se virar muito bem com acordos?

E se conversar não der certo? Bom, aí é a hora de você se armar, se encher de coragem e fazer o que deve ser feito: matar a terceira cabeça ou ver seu relacionamento morrer.

Melhor ter uma certeza triste do que uma dúvida eterna.

Médio, Mediano… Medíocre

Setembro 1, 2011 2 comentários

Adoro definições. De verdade. Uma ótima forma de conhecer pessoas de verdade é descobrir como elas definem a si mesmas e os outros.

Sempre fico com aquela pulguinha atrás da orelha depois de cada frase solta de música, cada poesia e o que a pessoa estava sentindo no exato momento que falou aquilo. E talvez por isso que eu adore o twitter. Nas outras redes sociais você pode fazer diversas coisas além de “abrir o seu coração”, mas não no twitter. Ali todas as piadinhas, trollagens e reclamações tem algo a ver com o que você faz, pensa ou sente.

Tenho uma amiga (não só uma, no caso) que é amorosa, carinhosa, linda, inteligente, articulada e, olha, não tenho palavras para descrevê-la de forma melhor do que um grande pudim de leite caramelizado cortado em fatias perfeitas e deliciosas escondidos em um pote de feijão. Por trás de um mal humor absoluto, sobrancelhas arqueadas, auto-estima impecável e lápis de olho agressivo ela é uma romântica que cansou de sofrer.

Existem tantos casos por aí de pessoas tão magoadas com alguma situação que as levaram tão além das suas forças e, por que não, do seu amor e respeito próprio que se fecham para que nunca mais sejam violentadas da mesma forma. Claro que todos sabemos que se esconder e guardar a dor não é a resposta para nenhum dos nossos problemas, pode até nos aliviar por alguns momentos mas não cura.

Tem uma frase do John Donne que eu adoro.

“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.

Nos últimos tempos percebi que tenho tanto contato com tantas pessoas maravilhosas que estão tão presas a problemas antigos que não conseguem viver e aproveitar o presente da forma como deveriam. Jamais diria que eu sou um exemplo a ser seguido já que meus períodos de “luto” são extensos e exagerados e já assustei muita gente (especialmente meus pais) com minhas crises de choro incontrolável durante filmes românticos, ao ver documentários sobre pinguins ou assistindo reportagens sobre tragédias. Não importa se a sua recuperação será rápida ou lenta, ela sempre será dolorosa. Somos seres sentimentais (ainda bem!) e ter sentimentos é normal, e todo mundo precisa sentir doer, preparar o velório e enterrar os problemas.

Nem mesmo o mais solitário dos homens está sozinho e todos somos magoados vez ou outra pelas pessoas em que mais confiamos.

Por incrível que pareça a idéia desse post veio de uma atualização do orkut. Eu entrei lá (coisa que não fazia a muito tempo) e vi minha antiga descrição “Eu só queria ser perfeita” e, poxa, não tem absolutamente nada a ver com o meu atual momento! Meu 2010 foi definido pela frase acima e, como vocês podem imaginar, não foi um ótimo ano. As cobranças que fiz foram necessárias para que perceber que ser perfeita, não sofrer, não chorar e não fazer besteiras não tem nada a ver comigo. Alterei a minha frase de descrição orgulhosamente, sabendo que eu já fiz coisas lindas, já me esforçei até o limite da minha capacidade, mas já tiveram dias que dormi sem lavar a louça na pia e sabem de uma coisa? Está tudo bem. Ser normal, médio, mediano não é ser medíocre, medíocre é não ser verdadeiro com você mesmo.

Estou num processo totalmente excelente de aceitar o que sou, fazer o que quero e não me punir pelo que sinto. A verdade universal é que chega um momento onde percebemos que, para aquela dama do romancismo parar de sofrer ela só precisa parar de chorar, comer uns chocolates e descer da torre e abrir seu próprio restaurante.

Eu adoro Disney e ela tem vários exemplos que ninguém precisa ser perfeito para ser feliz. Um dos que eu mais gosto é de Lilo & Stitch, no final do filme o Stitch, quando perguntado quem são aquelas pessoas ele responde:

“Essa é a minha família. Eu achei. Sozinho. Eu achei. É pequena e incompleta. Mas é boa. É, é boa.”

“Ohana quer dizer ‘família’ e ‘família’ quer dizer ‘nunca abandonar ou esquecer'”

As pessoas são como folhas de papel. Nascemos em branco, sem riscos, sem histórias. Anos depois temos tantos rabiscos, buracos, grampos, tesouradas e rasgos que ficamos pensando em como seria bom estar em branco sem prestar atenção nos desenhos lindos que temos. Não adianta esconder sua tela embaixo de um pano escuro ou se se jogar nos porões desse grande museu da vida. Sua folha nunca mais será branca, ela só vai continuar repetindo as mesmas cores-experiências que você usou até hoje até que ela se acabe.

Eu, pessoalmente, decidi que mereço novas cores.

Piolhos

Agosto 18, 2011 Deixe um comentário
Quem não lembra do sentimento de Crise de 29 quando o assunto era piolhos?- Thais! Sabe a Maria da 3ª B?
– Sim!? – Não, eu não sabia.
– Ela está com piolho! Cuidado com ela!

Assim era iniciado o terror! Todas as meninas da escola poderiam ser a Maria da 3ª B! Eu não teria mais nem um minuto de tranquilidade!

Uma vez eu fui no banheiro, antes de sair, tinha que lavar as mãos e uma menina estava na pia (que tinha uns 3 metros de comprimento). Era época de piolhos. E ela não terminava nunca! Provavelmente era a Maria da 3a. B! E estava ali no banheiro porque não queria ficar na sala de aula coçando a cabeça! Preciso dizer que eu não lavei a mão até que ela saísse do banheiro?

Mas imagina se eu pegasse piolho? E se todo mundo soubesse? E se minhas amigas não quisessem mais ficar comigo? E no exato momento que eu estava aterrorizada minha cabeça começava a coçar. Isso faz uns 15 anos e está coçando enquanto eu escrevo esse post.
Mas eu nunca me rendia à coceira. Ah não. Jamais! Se eu estivesse com piolhos falaria para minha mãe avisar que eu estava doente e faltaria uma semana! É claro que eu não tinha a liberdade de escolha se eu ia ou não à escola, mas sempre gostei de imaginar que tinha…
A melhor história sobre piolhos que eu tenho é uma menina que chamarei aqui de Dentão.Dentão era uma garota comum de 12 anos, 6ª A, morena, olhos amendoados, cabelos longos e lisos, magra, com um problema dentário absurdo. Posso afirmar, com absoluta certeza, que Dentão não tinha a capacidade de encostar o lábio superior no inferior.

Dentão parou de conversar comigo no ano anterior por divergências de conceitos de beleza e estética. (Da série “Coisas que a Popularidade Define”: Eu era considerada feia, ela não.)

Por algum motivo durante uma aula da 6ª série Dentão sentou no banco vazio do meu lado, meio chorando.

– O que aconteceu?
– Ninguém quer conversar comigo! Não sei o que está acontecendo e as meninas nem respondem o que eu pergunto depois do intervalo!

Senti um prazer mórbido naquela frase.

– Você não pode ir lá ver com elas o que está acontecendo?
– Claro! – estava verdadeiramente preocupada, ela era minha amiga até o ano anterior e eu nunca fui de guardar rancor.

Então eu descobri. Dentão estava com piolho. Ótimo, mais um motivo para ninguém querer falar comigo! Eu andava com a piolhenta! Éramos tão velhos para ter piolhos… Todas as amigas dela não quiseram comentar nada, então eu fui o tio bêbado que conta pros sobrinhos que Papai Noel não existe na véspera do natal.

Como sempre, dei aquela olhadinha pra cabeça, com medo. E adivinha? Eu vi uma coisa marrom clara, pequena, no topo da cabeça dela. A cena nunca mais vai sair da minha memória. Aquilo saindo de dentro dos cabelos e voltando. Nojo eterno.

Enfim, eu contei, a Dentão chorou absurdo porque a coordenadora da escola não deixou ela ir embora mais cedo, no horário ela foi pra casa e voltou apenas uma semana depois, sem piolhos.

Algumas vezes eu me pego preocupada com algum problema, me estresso e me entristeço. E depois percebo que era algo que realmente precisava de uma ação, mas não era algo grave.

É bom sempre medir nossos medos e perceber se não estamos nos escondendo em casa durante uma semana enquanto só o que precisamos/podemos fazer é usar um shampoo e pentear os cabelos com pente fino por algumas horas.

Algumas problemas são grandes e valem a nossa preocupação, já outros, bom, eles são apenas piolhos.

Ser Solteira

Agosto 8, 2011 1 comentário

Um belo dia me perguntaram em quê eu tinha muito conhecimento e saberia dissertar sobre e eu  respondi “relacionamentos”, assim comecei a escrever uma coluna semanal e um blog sobre o assunto e percebi que eu adorava fazer isso. Este é meu primeiro post em um blog chamado Blogaremos onde eu me diverti durante alguns meses escrevendo. Decidi ressussitar o post para o clubinho, espero que vocês gostem!

Prazer. Tae. Administradora, Contadora de Piadas Ruins, Psicóloga/Sexóloga das amiguë nas horas vagas, Ligeiramente Nerd, Desengonçada, Solteira e, por incrível que pareça, Feliz.

Você pode estar se perguntando o por quê do “por incrível que pareça”. Me explico: A solteirice é uma benção e uma maldição.

De que outra forma você poderia acordar em um sábado, escovar os dentes e passar o resto da manhã de pijama? Almoçar uma maravilhosa lasanha da Sadia comprada no dia anterior, jogar video-game a tarde inteira e voltar a colocar seu lindo pijama às 8 da noite um pouco antes de assistir uma série de filmes (que eu nunca consigo escolher entre a linda trilogia antiga de Star Wars, a maravilhosa história de vingança de Kill Bill ou o sonho que é o mundo de Senhor dos Anéis) enquanto devora uma a maravilhosa pizza 4 queijos. E se você engordar? Compre a roupa um número maior, ninguém vai olhar pra você e dizer que te conheceu sem aquela barriguinha!

A maldição se chama sociedade.

Sempre que encontro uma tia, amiga antiga, conhecida da família, etc., chega ao fatídico diálogo:

– E aí, namorando?
– Não, não estou namorando.

É humanamente impossível não se sentir ofendida com a cara de pena que elas fazem pra mim. Mas eu já peguei a manha:

– Ah, só paquero, né? hehehe

Aí os olhares se iluminam e vem a resposta padrão:
– Aproveita, filha! Isso mesmo! Tem que ficar solteira, passear, viajar e aproveitar (leia-se putanhar) muito antes de se amarrar, né? Faz muito bem!

Ofendida.

Às vezes você não está esperando, mas sociedade está aí para estapear a sua cara e te mandar arrumar um macho de qualquer jeito. Outro dia um grupo de amigos estava conversando animadamente sobre Sex Toys. Todo mundo contando seus “causos”, o que foi bom, o que não foi, onde comprou, como foi o atendimento até que surgiu a indicação de um lugar que tem até aluguel de cabine para quem é voyer. Todo mundo curioso querendo marcar um dia para ir até o local.

– Vai ser divertido!
– Preciso comprar umas coisas novas!
– Vou dar de presente!

Momento da piadinha!, pensei.
– Poutz, acho que eu nem vou. Vou ficar é triste! HAHAHAHA

Risadas pelo ambiente. Meu trabalho estava feito.
– Poxa, você tem que ir sim! Pelo menos você apimenta o seu show solo, né? – sorriso e OHHHH FUCK! Olhar de Pena escondido na brincadeirinha! Eu e minha boca enorme!

– Verdade, né? hehehe – sorriso.

Ofendida [2].

Sabe qual foi a pior de todas? Eu fui doar sangue contente e feliz e como já sou doadora a moça que faz entrevistas falou que só iria me perguntar coisas que poderiam ter mudado. Passamos por tratamentos médicos, doenças, cirurgias, etc e tal, até a fatídica “Continua com o mesmo parceiro desde a última vez que doou sangue?”.

Gelei.

Eu não sei mentir e quando eu sou obrigada a responder algo que eu não gostaria eu me sinto muito desconfortável. Respirei fundo.

– Na verdade não, mas estou sem nenhum parceiro desde então.

OOOOOH FUCK! O Olhar!
– Sério? – O Olhar de Pena característico estava ali, vindo na minha direção no mesmo esquema slow motion de quando eu derrubei aquele vaso chinês de louça que minha mãe tanto amava – A quanto tempo?

Moça, eu achei que a minha vida sexual não fosse da sua conta, estou aqui sendo uma pessoa boa pessoa, doando sangue e respondendo as perguntinhas deste questionário como se fosse completamente natural e normal você me perguntar se eu fui viajar pro norte do país e transei com o boto, mas me perguntar a quanto tempo eu não dou uma, sinceramente, acho que é demais, né amiga? Vocês fiquem felizes que eu sou educada e não falei nada disso.
– Ah, um pouco. Não deu certo. – simulação de tristeza, biquinho e sorriso.

Ela ainda me olhava daquele jeito.
– Que pena, né? Uma moça tão bonita!

Ofendida [3].

Acho que todos podemos rir da nossa condição financeira, peso, estado civil ou falta de habilidade para andar e falar ao mesmo tempo, mas acho injusto que eu precise “botar a banca” de que estou na pegação, aproveitando as baladas, festas, barzinhos, conhecendo vários monumentos e me estragando para ser tratada como se fosse uma pessoa normal.

Como assim quando eu conhecer “O Cara” eu não vou me arrepender? Que arrependimentos seriam esses?

– Não ter beijado aquele cara semi-bêbado na balada que ficou grudado em você o tempo inteiro te chamando para dormir na casa dele?
– Não ter passado o seu telefone para o gatinho de topete e camiseta da Diesel que te empurrou contra a parede e disse que te achava uma delícia?
– Não ter feito a louca e fazendo pole-dance e convulsionado no dancefloor?

Me desculpem Tias, Amigas, Avós, Madrinhas e qualquer outra pessoa. Existe algumas coisas na vida que são muito mais importantes que estar “aproveitando” ou namorando. Caráter. Dignidade. Amor Próprio. Respeito.

Me julguem que eu nasci com 80 anos, mas não me sinto respeitada na pegação dessa vida noturna onde as princesinhas do papai viram vagabundas. E me, julguem de novo, eu jamais namoraria apenas por costume ou medo de ficar sozinha.

Acredito sim no amor, acredito no casamento e em relacionamentos duradouros, mesmo que existam diferenças.

Sonho em ter uma casa, grande. Sonho ter filhos lindos. Sonho ter um marido carinhoso. Também sonho ter uma conta corrente positiva e uma poupança boa de pé-de-meia. E também sonho em ter uma carreira digna. E se alguns desses sonhos não se realizarem? Já diria Caetano: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser que é”.

Meu Machista Preferido

Julho 28, 2011 Deixe um comentário

– Olha que gostosa!
– Potrancona, hein?
– Ah, eu prefiro aquela compacta aí, não é muito bonita, mas dá pra andar de mão dada no shopping.

E foi assim que o assunto começou e eu ri muito ouvindo os meus amigos comentando sobre a mulherada. Todos os dias é a mesma coisa: alguém comenta de uma loira, um par de pernas ou um decote e dali pra frente o assunto passa para mulheres.

Depois de alguns anos tendo contato com uma maioria de homens eu já me acostumei e até faço meus comentários. Confesso que às vezes incomoda, claro, já que eu não acho a coisa mais legal do mundo ficar comparando bundas e saber como eles as imaginam sem as calças.

Quando fico entediada eu pertinentemente comento “Vocês chegaram a reparar naquela calcinha GIGANTE que a mulher tá usando?” ou algo do tipo. Quando eu acordo muito danada eu comento sobre algum cara lindo (mais bonito que eles, claro), aí eles param. O Ego Masculino é tão grande que vai precisar de um post só pra ele.

No final das contas eles tentaram me explicar o que era alguém para se “andar de mão dada no shopping” e definiram pra mim as meninas para “pegar”, “namorar” e “casar”. Era algo assim:

– Para Pegar:
Não importa se a cara dela parece a de um rinoceronte com epilepsia se ela for gostosa. Provavelmente ninguém vai saber mesmo, só os “brothers”, e melhor dormir com a Preciosa do que voltar pra casa sozinho, bêbado e vomitar na sua cama. Tem também aquelas safadas gostosonas que dão mole para todos os caras da festa. “Lavou tá novo” e ninguém quer ser o único lerdo que não pegou.

– Para Namorar:
A amiga bonita e gostosinha serve. Na verdade, os dois únicos atributos que ela obrigatoriamente tem que ter é ser bonita e não encher muito o saco porque nenhum cara “jovem” quer namorar uma Dona Onça, né?
Ela tem que ser suficientemente bonita para que o Ego Masculino tenha certeza que todos os amigos dele ficam com inveja de ele ser o cara que tá comendo, mas não pode ser tão provocante para que eles imaginem isso o tempo todo. E, claro, ela tem que ter os amigos dela, a família dela, etc., sempre que ele não quiser ela por perto.

– Para Casar:
Casar com a Dona Onça nunca foi um problema. Ela tem que ter os atributos de beleza e gostosura da namorada, e ela pode pegar um pouco no pé (já que ela é a dona mesmo, né?), mas tem que ser independente. Para que uma garota chegue no “felizes para sempre” ela tem que deixar claro que está ali porque quer e, se ele pisar fora da faixa ela vai embora e não vai voltar. Por quê? Talvez porque eles gostam da coleira curta e do chicote longo, talvez porque eles nunca vão crescer e querem sempre uma mãe ou talvez só para que o dia-a-dia seja uma aventura. Depois as mulheres que são complicadas…

De primeira eu fiquei bem horrorizada, como é que eles podiam separar assim? Aí eu prestei um pouco mais de atenção e reparei que a gente também separa.
Mulher tem mania de falar que todos os homens são iguais quando elas estão nervosinhas com algum, mas não é verdade. Existem 3 tipos bem distintos.

– O Cafageste
Ô delicinha de mamão que entrou na sua vida, hein? Ele não precisa ser bonito, ele é charmoso e te olha como se você fosse algo “de comer”, e você é. No melhor dos casos ele vai estar numa fase da vida que ele cansou de ficar com várias e vai passar uma temporada com você e depois terminar porque precisa de um tempo “sozinho”. Também conhecido como Dinossauro (créditos a minha grande amiga @Yaholy pela definição), tem A PEGADA, te agarra, te destrói, te come e vai embora.

– O Bonzinho
Ele é a pessoa mais encantadora que você já conheceu. Ele te acompanha até pra comprar pão na padaria da esquina, escreve e-mails pra você no meio da tarde dizendo que está sentindo a sua falta e provavelmente chora vendo filmes românticos. Ele é o genro que sua mãe pediu a Deus, mas as possibilidades dele ser um baba ovo que você não pediu a Deus é bem grande. No final você vai ter duas opções: 1) você termina porque cansou dos seus ovários sendo mais másculos do que as bolas dele, 2) ele é lindo, fofo, carinhoso, você mandou ele embora da sua casa porque você quer dormir e ele chorou porque quer ficar perto de você, você está de saco cheio e vai se tornar uma chata aí ele vai terminar com você.

– O Príncipe Encantado
Esse é que nem caviar: nunca vi nem comi eu só ouço falar. Ele não é tão encantador assim e talvez você nem tenha reparado nele da primeira vez que o viu. Ele também não faz você arrancar as roupas só de sentir o perfume dele, mas ele te completa. Ele te faz rir, te pega do jeitinho que você gosta, te faz querer dormir de conchinha e você prefere conviver com aquela mania horrorosa de cortar as unhas do pé e deixar em cima da mesinha de centro do que viver sem ele.

Outro dia eu estava lendo uma entrevista com um psicólogo que todos nós precisamos colocar prazos para iniciar projetos importantes, uma dieta, um novo emprego, etc. Será que, para sermos felizes com quem estamos, precisamos definir essas pessoas também?

A Tampa da Panela

Julho 23, 2011 1 comentário

De vez em quando eu recebo aquelas frases das meninas, descrevendo o homem ideal, como ele deve falar, o que deve fazer, como deve se comportar.

E sabe de uma coisa? Isso me irrita! As pessoas não são ideais, os príncipes não existem, esses e-mails são de péssimo gosto!

Encontre um homem que te chame de linda ao invés de gostosa,

Desculpa, se o lindo não pegar na gordurinha que eu mais odeio e disser que me acha gostosa, que me adora, que vai me morder, eu morro de tristeza!

que te ligue de volta quando você desligar na cara dele,

Menina, mamãe não te deu educação? Desligar o telefone, guspir ou dar tapa no rosto é sinal de desrespeito! E respeito é algo que jamais pode faltar em qualquer relacionamento.

que deite embaixo das estrelas e escute as batidas do seu coração ou que permaneça acordado só para observar você dormindo. 

Assistindo muito filme, não é? Arruma alguém que tenha insônia.

Espere pelo homem que te beije na testa, 

NA TESTA? Meu pai me beija na testa e eu não quero outro pai, já tenho um.

que queira te mostrar para todo mundo, mesmo quando você está suando.

Caaaaaalabresa, Muuuuuussarela! Fala sério! Pode ser sexy fazer exercício e é claro que você quer alguém que se orgulhe, mas suada e fedendo por aí? Toma banho, né amiga?

Um homem  que segure sua mão em frente aos amigos dele, que te ache a mulher mais bonita  do mundo, mesmo quando você está sem nenhuma maquiagem,

Amiga, se ninguém segurou a sua mão na frente dos amigos dele tem algo muito errado nas suas escolhas. Desculpa a realidade, mas tem muita artista de Hollywood muito mais bonita que eu. Eu quero alguém que goste de mim por inteiro, não pela minha razoável beleza.

E que insista em  te segurar pela cintura.

Não era na mão??? DECIDA-SE!

Aquele que te  lembra constantemente o quanto ele se  preocupa com você, E o quão sortudo ele é por estar ao seu lado.

De novo. Eu não quero um pai. Ainda mais um babão.

Espere por  aquele que esperará por você,

PFFFFFFFFFFFFFF! Amores, só encontra quem está disposta. Felicidade não se guarda pra depois, jamais espere por aquele seu ex que não quer te namorar. Se ninguém mais te interessa viva e aproveite solteira mesmo!

aquele que vire para os amigos e diga É ELA

Que te apresente? Aproveita que você não tem boca e anda um passo atrás dele pelo resto da vida.

Posso estar sendo amarga, mas não suporto mulheres procurando seus príncipes encantados de forma tão persistente! Vocês já viram algum homem reclamando que está ficando velho demais para encontrar a mulher ideal?

Muitas mulheres tem como objetivo de conhecer alguém perfeito e se casar, mas e se encontrarmos o macarrão do nosso molho até os 24 anos a vida acabou? Vamos todas embarangar, encostar a barriga no fogão e reclamar que o homem perfeito quer que você passe as cuecas e que aqueles demônios dos seus filhos estão comendo o pé da pia?

Aí aparecem as feministas falando que eu tenho razão e que não podemos fazer nada em casa e eu me pergunto em que sociedade fomos criadas onde não é digno servir um café na cama para o seu amor ou cuidar dos filhos?

As neuroses femininas só começaram. Agora se o lindos nos elogia logo vem uma amiga dizer que deve ser porque ele está te traindo. Se ele te presenteia com chocolate, ele te engorda. E se ele nos dá bichos de pelúcia, não temos onde guardar. E se ele não dá nada é porque ele é um insensível.

Porque complicar tanto?

Eu sempre lembro do discurso das bodas de ouro dos meus avós quando penso em relacionamentos felizes. Quando perguntaram para a minha avó como foram os 50 anos de casamento ela falou:

– Difícil.

Gargalhadas. Batemos palmas, rimos, e ela continuou:

– 50 anos não é um casamento, é um martírio! Aprendemos muito, a convivência é difícil, o marido é irritante, mas com jeitinho nós damos um jeito. Foi a melhor coisa que eu fiz na vida! Mas, meus netos, não se casem! HAHAHAHA

Desculpa vó, eu entendi que o “Felizes para Sempre” não é um conto de fadas, e talvez eu me case sim porque acho que nada me faria mais feliz do que o martírio de 50 anos de convivência com o velho chato que eu conheci e me apaixonei muitos anos antes.