Ser Solteira

Um belo dia me perguntaram em quê eu tinha muito conhecimento e saberia dissertar sobre e eu  respondi “relacionamentos”, assim comecei a escrever uma coluna semanal e um blog sobre o assunto e percebi que eu adorava fazer isso. Este é meu primeiro post em um blog chamado Blogaremos onde eu me diverti durante alguns meses escrevendo. Decidi ressussitar o post para o clubinho, espero que vocês gostem!

Prazer. Tae. Administradora, Contadora de Piadas Ruins, Psicóloga/Sexóloga das amiguë nas horas vagas, Ligeiramente Nerd, Desengonçada, Solteira e, por incrível que pareça, Feliz.

Você pode estar se perguntando o por quê do “por incrível que pareça”. Me explico: A solteirice é uma benção e uma maldição.

De que outra forma você poderia acordar em um sábado, escovar os dentes e passar o resto da manhã de pijama? Almoçar uma maravilhosa lasanha da Sadia comprada no dia anterior, jogar video-game a tarde inteira e voltar a colocar seu lindo pijama às 8 da noite um pouco antes de assistir uma série de filmes (que eu nunca consigo escolher entre a linda trilogia antiga de Star Wars, a maravilhosa história de vingança de Kill Bill ou o sonho que é o mundo de Senhor dos Anéis) enquanto devora uma a maravilhosa pizza 4 queijos. E se você engordar? Compre a roupa um número maior, ninguém vai olhar pra você e dizer que te conheceu sem aquela barriguinha!

A maldição se chama sociedade.

Sempre que encontro uma tia, amiga antiga, conhecida da família, etc., chega ao fatídico diálogo:

– E aí, namorando?
– Não, não estou namorando.

É humanamente impossível não se sentir ofendida com a cara de pena que elas fazem pra mim. Mas eu já peguei a manha:

– Ah, só paquero, né? hehehe

Aí os olhares se iluminam e vem a resposta padrão:
– Aproveita, filha! Isso mesmo! Tem que ficar solteira, passear, viajar e aproveitar (leia-se putanhar) muito antes de se amarrar, né? Faz muito bem!

Ofendida.

Às vezes você não está esperando, mas sociedade está aí para estapear a sua cara e te mandar arrumar um macho de qualquer jeito. Outro dia um grupo de amigos estava conversando animadamente sobre Sex Toys. Todo mundo contando seus “causos”, o que foi bom, o que não foi, onde comprou, como foi o atendimento até que surgiu a indicação de um lugar que tem até aluguel de cabine para quem é voyer. Todo mundo curioso querendo marcar um dia para ir até o local.

– Vai ser divertido!
– Preciso comprar umas coisas novas!
– Vou dar de presente!

Momento da piadinha!, pensei.
– Poutz, acho que eu nem vou. Vou ficar é triste! HAHAHAHA

Risadas pelo ambiente. Meu trabalho estava feito.
– Poxa, você tem que ir sim! Pelo menos você apimenta o seu show solo, né? – sorriso e OHHHH FUCK! Olhar de Pena escondido na brincadeirinha! Eu e minha boca enorme!

– Verdade, né? hehehe – sorriso.

Ofendida [2].

Sabe qual foi a pior de todas? Eu fui doar sangue contente e feliz e como já sou doadora a moça que faz entrevistas falou que só iria me perguntar coisas que poderiam ter mudado. Passamos por tratamentos médicos, doenças, cirurgias, etc e tal, até a fatídica “Continua com o mesmo parceiro desde a última vez que doou sangue?”.

Gelei.

Eu não sei mentir e quando eu sou obrigada a responder algo que eu não gostaria eu me sinto muito desconfortável. Respirei fundo.

– Na verdade não, mas estou sem nenhum parceiro desde então.

OOOOOH FUCK! O Olhar!
– Sério? – O Olhar de Pena característico estava ali, vindo na minha direção no mesmo esquema slow motion de quando eu derrubei aquele vaso chinês de louça que minha mãe tanto amava – A quanto tempo?

Moça, eu achei que a minha vida sexual não fosse da sua conta, estou aqui sendo uma pessoa boa pessoa, doando sangue e respondendo as perguntinhas deste questionário como se fosse completamente natural e normal você me perguntar se eu fui viajar pro norte do país e transei com o boto, mas me perguntar a quanto tempo eu não dou uma, sinceramente, acho que é demais, né amiga? Vocês fiquem felizes que eu sou educada e não falei nada disso.
– Ah, um pouco. Não deu certo. – simulação de tristeza, biquinho e sorriso.

Ela ainda me olhava daquele jeito.
– Que pena, né? Uma moça tão bonita!

Ofendida [3].

Acho que todos podemos rir da nossa condição financeira, peso, estado civil ou falta de habilidade para andar e falar ao mesmo tempo, mas acho injusto que eu precise “botar a banca” de que estou na pegação, aproveitando as baladas, festas, barzinhos, conhecendo vários monumentos e me estragando para ser tratada como se fosse uma pessoa normal.

Como assim quando eu conhecer “O Cara” eu não vou me arrepender? Que arrependimentos seriam esses?

– Não ter beijado aquele cara semi-bêbado na balada que ficou grudado em você o tempo inteiro te chamando para dormir na casa dele?
– Não ter passado o seu telefone para o gatinho de topete e camiseta da Diesel que te empurrou contra a parede e disse que te achava uma delícia?
– Não ter feito a louca e fazendo pole-dance e convulsionado no dancefloor?

Me desculpem Tias, Amigas, Avós, Madrinhas e qualquer outra pessoa. Existe algumas coisas na vida que são muito mais importantes que estar “aproveitando” ou namorando. Caráter. Dignidade. Amor Próprio. Respeito.

Me julguem que eu nasci com 80 anos, mas não me sinto respeitada na pegação dessa vida noturna onde as princesinhas do papai viram vagabundas. E me, julguem de novo, eu jamais namoraria apenas por costume ou medo de ficar sozinha.

Acredito sim no amor, acredito no casamento e em relacionamentos duradouros, mesmo que existam diferenças.

Sonho em ter uma casa, grande. Sonho ter filhos lindos. Sonho ter um marido carinhoso. Também sonho ter uma conta corrente positiva e uma poupança boa de pé-de-meia. E também sonho em ter uma carreira digna. E se alguns desses sonhos não se realizarem? Já diria Caetano: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser que é”.

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  1. Kleber
    Dezembro 19, 2011 às 5:03 pm

    Muito bom o texto.
    Sou homem e solteiro durante toda a vida. Sempre tive dificuldades nos começos de relacionamento porque geralmente as mulheres são muito diferentes de mim. (Sou nerd e boêmio). Alguns amigos me enchiam o saco porque não arrumava namorada, porque a “mina” deu mole e eu “vacilei”, como se eu fosse obrigado a “pegar” qualque uma que aparece, só porque é “gatinha”. Não que eu não queira, às vezes até tenho um caso de uma noite, tenho também o costume de paquerar, em bares, festas, shows. Mas, não dá pra manter relacionamento com uma mulher que reclama do preço do esmalte, que começa a falar da roupa da colega do trabalho, que escreve “mais” em vez de “mas”, que não conjuga os verbos no msn, enfim, se for para eu namorar, que seja com uma mulher agradável, caso contrário eu continuo arrumando uns “casos”. Mas é isso. No caso dos homens, também tem essa obrigação social pra pegar todas que dão mole.

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